Artroscopia

Uma técnica semiológica e cirúrgica.

A história das sucessivas tentativas, de olhar através de um tubo iluminado, para dentro de uma cavidade natural, reporta-nos a Viena, a 1806 e a Phillip Bozzini. A esta atitude, que desde essa altura se tem vindo a desenvolver para atingir o interior das várias cavidades naturais e melhor as poder estudar, chamou-se em 1853, e possivelmente com Desormeaux, endoscopia.
Com a extensão inevitável da endoscopia às cavidades articulares, surgiu nova metodologia e bem assim designação mais especifica. Crê-se pois, que o termo artroscopia, terá surgido com o Prof. K. Takagi em 1918 e com o seu artroscópio, ou seja o instrumento que permite a visão do interior de uma articulação. No entanto e desde essa altura, em que surgiu o termo artroscopia e os dias de hoje, em que o mesmo, apenas na sua essência tem idêntico significado, tem decorrido longa história.
Efectivamente e desde K. Takagi, que como se disse, teve a ideia de introduzir um cistoscópio modificado, no interior do joelho, para fazer a sua visualização, tem-se assistido a avanços, que têm sido sempre muito significativos. Dentre eles e voltando de novo a K. Takagi, é importante registar o desenvolvimento do seu primeiro artroscópio de 3,5 mm, que permitiu razoável utilização prática, já que os anteriores demasiado grossos, poucos resultantes lhe forneceram. Estava-se em 1931 e nesse ano, com Takagi também, surgiu a ideia e base fundamental para a técnica, de distender com uma solução salina a cavidade articular, permitindo-lhe observação não só mais fácil, mas também mais fiel. No entanto, já em 1925, H.P. Kreuscher, tinha publicado um artigo em que descrevia o seu artroscópio, seu desenvolvimento e sua utilização. É curioso, que já nessa ocasião, ele considerava a artroscopia do joelho, como a técnica especialmente indicada para a detecção precoce das lesões do menisco.
Em 1934, M.S. Burman, médico em Nova Iorque, publicou um artigo em que se descrevia pela primeira vez e claramente definida, a técnica da artroscopia. A descrição sistemática da inspecção do joelho era apresentada com muita clareza, bem como, as principais complicações possíveis, resultantes da técnica.
Burman propunha ainda, a utilização da solução de Ringer para fazer a distensão articular, solução que apesar de ultrapassada, ainda hoje é usada por alguns cirurgiões. Como indicações de utilização prática, realçava o uso da artroscopia, nas artrites do joelho e avaliação de lesões meniscais.
Depois de 1950 e tal como no inicio, o maior ímpeto e desenvolvimento, surgiu no Japão e precisamente com um seguidor de Tagaki, o Prof. M. Watanabe.
A publicação do seu primeiro atlas de artroscopia, foi um marco importante, bem assim como o aparecimento do seu artroscópio nº 21, em 1960, instrumento que pelas suas características se espalhou pelo mundo e veio a motivar inúmeros cirurgiões, a tal ponto que em 1973, surgiu o primeiro curso de instrução artroscópica. Este teve lugar na Universidade de Pensilvânia e o seu sucesso foi tão significativo, que logo no ano seguinte se realizou o segundo.
Na sessão de encerramento desse segundo curso, formou-se a Associação Internacional de Artroscopia, tendo ficado na sua presidência o Prof. M. Watanabe.
A partir desse momento não só com a A.I.A., mas também com a Academia Americana de Ortopedistas, iniciou-se uma série infindável de cursos teórico-práticos que atraíram candidatos não só dos EUA mas também de toda a Europa.
Assim chegou-se a 1978 e com O’Connor surgiram os primeiros cursos de cirúrgica artroscópica, que pela sua inovação renovaram o entusiasmo geral, já que apesar de vir a ser praticada há algum tempo, nomeadamente por Robert Metcalf, Lanny Johnson e J. Dandy, era desconhecida na sua quase totalidade, bem como o seu próprio armamentário ( instrumental cirúrgico miniaturizado ).
Com estes cursos, estava definitivamente implantada a artroscopia, como técnica de diagnóstico e cirúrgica, fundamentalmente.
Desde então e com Robert Metcalf, L. Johnson, James Guhl, Dinesh Patel, Kenneth Dehaven, Robert Stone, Jan Gillquist, F. Santos Silva e outros, a cirurgia artroscópica tem-se desenvolvido tão consistentemente, quer nas suas utilizações cirúrgicas, quer no aperfeiçoamento do seu instrumental, que cremos ser razoável afirmar, não ser possível a qualquer clínica ortopédica, deixar de a incluir na sua rotina diária de trabalho.

Fundamentalmente e apesar de pequenas variações existentes de marca para marca, o artroscópio é um simples cilindro, com uma lente de ampliação em cada extremidade. A lente colocada na extremidade articular é a objectiva e a da extremidade contrária, é a ocular. Estas duas lentes, entre si, são separadas uma da outra, por séries de lentes, que estão preparadas de forma a transmitir a imagem vinda da articulação para o olho.
Todo este sistema de lentes por sua vez e que ocupa a totalidade da extensão do artroscópio, é rodeado por finas fibras ópticas, meio de transmissão da luz, proveniente da uma fonte luminosa e fundamentalmente para a visualização do interior da articulação.
A sua ocular, está estruturada e preparada para permitir a adaptação, a sistemas de registo de imagem. Os mais utilizados, são o vídeo e a fotografia. Aquele apresenta hoje pequeníssimas câmaras digitais, que fazem prever em futuro próximo a solidarização definitiva dos dois instrumentos.
Os artroscópios, mais frequentemente utilizados, têm diâmetros de 4mm ou 5 mm, comprimento de 140 mm e ângulos de inclinação das suas objectivas de 25 a 30 graus.
A sua designação, faz-se pela indicação do seu diâmetro e ângulo de inclinação da sua objectiva. ( v.g. 5 mm - 30º ).
 
Como já se deixou implícito no exposto anteriormente, o interesse da artroscopia, está na possibilidade de observação do interior de uma articulação.
Assim e para o conseguirmos, temos necessidade de sujeitar em primeiro lugar, a cavidade articular a uma distensão máxima, com uma solução salina, de modo a que os vários espaços virtuais se transformem em reais e estes por sua vez se dissociem daqueles. Com a cavidade articular assim preparada, é necessário promover à iluminação do seu interior, par que, qual gruta subaquática, possamos visualizar as suas paredes.
Para esta atitude o artroscópio é fundamental, pois que é através dele que fazemos não só a introdução de toda a luz necessária à iluminação, mas também é através do seu sistema de lentes, que conseguimos fazer a recolha das imagens do interior articular.
Potencialmente, toda a articulação com sinovial é passível de abordagem artroscópica, mas na verdade e na prática, apenas o ombro, o cotovelo, o joelho e a tibio-társica, são as articulações mais visitadas. Mesmo destas, o joelho, pela sua grandeza e morfologia, é a mais privilegiada, levando por isso a associar de imediato a artroscopia, ao joelho, o que não é de todo verdade.

As indicações para a prática da cirurgia artroscópica, estão hoje bem estabelecidas e são por isso bem conhecidas de todo o cirurgião ortopédico com adequada prática da técnica. De qualquer modo é importante salientar que a artroscopia, apesar de fornecer importante contributo para o diagnóstico, não dispensa nunca a mais aturada avaliação clínica.
No seu âmbito, em ambiente de “ Cirurgia de Dia “, estão incluídas a maior parte das articulações com sinovial já referidas, no entanto como a mais experimentada e vulgarizada é o joelho, é preferível nesta apresentação, apenas dela se tratar.
Assim e no joelho, podemos usufruir da artroscopia sob dois aspectos. O diagnóstico e o terapêutico, ou melhor dizendo, o cirúrgico.
Quanto ao diagnóstico, a sua utilização apresenta-se-nos quase que como obrigatória nas situações de rotura de menisco, de rotura do cruzado anterior e do cruzado posterior, de fractura condral e osteocondral, de corpos livres intra-articulares, de osteocondrite dissecante, de doença da cartilagem ( condromalácea ), de quisto do menisco, de osteocondromatose, de artrite reumatóide, de sinovite vilonodular pigmentada, de hemangioma e na generalidade das situações indefinidas, que englobam o chamado joelho doloroso crónico, completando definitivamente toda a informação clinica e imagiológica. Com a artroscopia há a possibilidade de fazer, em tempo mínimo, o estabelecimento de um diagnóstico preciso e final.
No aspecto terapêutico, possivelmente o mais aliciante para o cirurgião pelos resultados que proporciona, a cirurgia artroscópica, auxiliada por desenvolvido instrumental cirúrgico miniaturizado, permite realizar de modo que podemos dizer exemplar, procedimentos com a meniscectomia total ou parcial, a sutura meniscal, a reconstituição do ligamento cruzado anterior, a reconstituição do ligamento cruzado posterior, a sinovectomia total ou parcial,  o tratamento da osteocondrite dissecante, o tratamento da fractura articular do planalto tibial, a exérese de corpos livres intra-articulares, a libertação do retináculo externo da rótula, a condroplastia da cartilagem doente, o transplante autólogo de cartilagem, a lavagem intra-articular com montagem de circuitos de drenagem, etc.
Importa reforçar que a artroscopia na sua generalidade, pela rapidez de diagnóstico, praticamente sem riscos para o doente, tem um valor inegável, ultrapassando em tudo o que até ao momento temos à disposição. Por outro lado, com as práticas cirúrgicas que possibilita, permite-nos resolver problemas de um dia para o outro, com muito menor agressão para o doente, quer de ordem geral (quase todas as operações no joelho são efectuadas com anestesia local ), quer de ordem local ( incisões de pouco mais de 4 milímetros  ) e colocando-o com um restitutio ad integrum em tempo bastante reduzido.





©1997 Diartro

Ciência & Curiosidades



Pensar gasta calorias

 Muito pouco, mas gasta. Para se manterem em atividade, as células nervosas do nosso cérebro (os famosos neurônios) se abastecem da energia que retiram do oxigênio e da glicose presentes no sangue - assim, acabam consumindo uma quantidade mínima de nossas reservas calóricas. "Para ter uma idéia, os neurônios gastam, em média, de 7 a 10 miligramas de glicose por minuto para cada 100 gramas de massa cerebral", afirma o neurologista Jackson Bittencourt, da Universidade de São Paulo (USP). Isso corresponde a um valor entre 0,028 e 0,040 quilocalorias por minuto - ou uma média de 16 quilocalorias (o equivalente a uma mísera bala) a cada oito horas. Assim, para poder emagrecer 100 gramas só pensando, seriam necessários cerca de 15 dias de intensa atividade cerebral. Na verdade, nossa mente gasta calorias 24 horas por dia sem parar, pois o cérebro está sempre funcionando, mesmo quando sonha. E nem é preciso quebrar muito a cabeça.

Clicar aqui
http://www.youtube.com/watch?v=P5PdO4zzhsA&feature=uploademail

Mundo Estranho

José Régio - Soneto quase inédito






Soneto quase inédito

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam -os fantoches em São Bento
 o Decreto da fome é publicado

Edita -se a novela do Orçamento
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do parlamento
Usufruem seis contos de ordenado

E enquanto á fome o povo se estiola,
Certo Santo pupilo de Loyola
 Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno" sacrificio"
De trinta contos-Só- por seu ofício
Receber,a bem dele-e da nação

José Régio soneto escrito em 1969, no dia
no dia de uma reunião de antigos alunos.

Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 Lisboa, 30 de novembro de 1935)



Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


(Fernando Pessoa)
A cor do horto gráfico
já aprovado pelo novo Ministro do saber


Última atualização do dicionário de língua portuguesa

Novas entradas:
Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu de um abismoPressupor: Colocar preço em alguma coisaBiscoito: Fazer sexo duas vezesCoitado: Pessoa vítima de coitoPadrão: Padre muito altoEstouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexoDemocracia: Sistema de governo do infernoBarracão: Proíbe a entrada de caninosHomossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimasMinistério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas

Detergente: Acto de prender seres humanosEficiência: Estudo das propriedades da letra FConversão: Conversa prolongadaHalogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentesExpedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric ClaptonTripulante: Especialista em salto triploContribuir: Ir para algum lugar com vários índiosAspirado: Carta de baralho completamente malucaAssaltante: Um 'A' que saltaDetermine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Vidente: Aquilo que o dentista diz ao paciente
Barbicha: Bar frequentado por gays
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão


E

Língua "perteguesa"... PORQUE O SABER NÃO OCUPA LUGAR!

Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.


Númaro

Também com a vertente 'númbaro'. Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!
Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'.


Aspergic

Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina

Alevantar
O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.


Amandar

O acto de atirar com força: 'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'


Assentar

O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.


Capom

Tampa de motor de carros que quando se fecha faz POM!


Destrocar

Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.


Disvorciada

Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.


É assim...

Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais.


Entropeçar

Tropeçar duas vezes seguidas.


Êros

Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.


Falastes, dissestes...

Articulação na 4ª pessoa do singular.
Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, TU FALASTES...

Fracturação

O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial. Casa que não fractura... não predura.


Há-des

Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular: 'Eu hei-de cá vir um dia; tu há-des cá vir um dia...'


Inclusiver

Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira. Também existe a variante 'Inclusivel'.



A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?


Nha

Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA. Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.


Parteleira

Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.


Perssunal

O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex.: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.


Prutugal

País ao lado da Espanha. Não é a Francia.


Quaise

Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais... Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.


Stander

Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis. O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da cromagem'...


Tipo

Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?


Treuze

Palavras
para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.

Natal dos sem abrigo

-Poema de Fernando Pessoa
Natal… Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade !
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei !
NATAL
Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.
Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.
Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.
Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.
Manuel Alegre