domingo, 18 de dezembro de 2011

Cesária Évora

Cesária Évora (Mindelo, 27 de agosto de 1941 — Mindelo, 17 de Dezembro de 2011), também conhecida como «a diva dos pés descalços», foi a cantora de maior reconhecimento internacional de toda história da música popular cabo-verdiana. Apesar de ser sucedida em diversos outros géneros musicais, Cesária Évora foi maioritariamente relacionada com a morna, por isso também foi por vezes apelidada "rainha da morna.


Cesária Évora (1941 - 2011) na cidade de Mindelo, em Cabo Verde. Tinha mais quatro irmãos. O seu pai Justino da Cruz tocava cavaquinho, violão e violino. Quando jovem foi viver com sua avó, que havia sido educada por freiras, e assim acabou passando por uma experiência que a ensinou a desprezar a moralidade excessivamente severa.
Entre os seus amigos estava B. Leza, o compositor favorito dos cabo-verdianos, que faleceu quando ela tinha apenas sete anos de idade. Desde cedo, Cise, como era conhecida pelos amigos, começou a cantar e a fazer actuações aos domingos na praça principal da sua cidade, acompanhada pelo seu irmão Lela, no saxofone. Mas a sua vida está intrinsecamente ligada ao bairro do Lombo, nas imediações do quartel do exército português, onde cantou com compositores como Gregório Gonçalves. Aos 16 anos, Cesária começou a cantar em bares e hotéis e, com a ajuda de alguns músicos locais, ganhou maior notoriedade em Cabo Verde, sendo proclamada a "Rainha da Morna" pelos seus fãs.
Aos vinte anos foi convidada a trabalhar como cantora para o Congelo - companhia de pesca criada por capital local e português -, recebendo conforme as actuações que fazia. Em 1975, ano em que Cabo Verde adquiriu a independência, Cesária, frustrada por questões pessoais e financeiras, aliados à dificuldade económica e política do jovem país, deixou de cantar para sustentar sua família. Durante este período, que se prolongou por dez anos, Cesária teve de lutar contra o alcoolismo. Igualmente, Cesária chamou a esse período de tempo, os seus Dark Years.
A casa de Cesária Évora
Encorajada por Bana (cantor e empresário cabo-verdiano radicado em Portugal), Cesária Évora voltou a cantar, actuando em Portugal. Em Cabo Verde um francês chamado José da Silva persuadiu-a a ir para Paris e lá acabou por gravar um novo álbum em 1988 "La diva aux pied nus" (a diva dos pés descalços) - que é como se apresenta nos palcos. Este álbum foi aclamado pela crítica, levando-a a iniciar a gravação do álbum "Miss Perfumado" em 1992. Desde então fixou residência na capital francesa. Cesária tornou-se uma estrela internacional aos 47 anos de idade.
Em 2004 conquistou um prémio Grammy de melhor álbum de world music contemporânea. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, distinguiu-a, em 2009, com a medalha da Legião de Honra entregue pela ministra da Cultura francesa Christine Albanel.[2]
Em Setembro de 2011, depois de cancelar um conjunto de concertos por se encontrar muito debilitada, a sua editora, Lusafrica, anunciou que a cantora pôs um ponto final na sua longa carreira.
Veio a falecer no dia 17 de Dezembro de 2011, com 70 anos, por "insuficiência cardiorrespiratória aguda e tensão cardíaca ele
Discografia

  1. 1965 - Mornas de Cabo-Verde & Oriondino (vinil simple, 45 RPM, C. Évora & Conjunto)
  2. 1987 - Cesária
  3. 1988 - Cesária Évora, La Diva aux pieds nus
  4. 1990 - Distino di Belita
  5. 1991 - Mar Azul
  6. 1992 - Miss Perfumado
  7. 1994 - Sodade - Les plus belles mornas de Cesaria (Best of)
  8. 1995 - Cesária
  9. 1995 - Cesária Évora à L'Olympia
  10. 1997 - Cabo Verde
  11. 1998 - Best of Cesária Évora
  12. 1998 - Nova Sintra
  13. 1999 - Le monde de Cesária Évora
  14. 1999 - Café Atlântico
  15. 2001 - Cesária Évora : L'essentiel
  16. 2001 - São Vicente di Longe
  17. 2002 - Anthology
  18. 2002 - Anthologie: Mornas & Coladeras (LP duplo)
  19. 2002 - The Very Best of Cesária Évora
  20. 2003 - Voz d'Amor
  21. 2004 - Les essentiels
  22. 2006 - Rogamar
  23. 2008 - Rádio Mindelo
  24. 2009 - Nha sentimento
DVD
  1. 2002 - Live in Paris
Duos
  1. 1999 - É doce morrer no mar (por Dorival Caymmi) cantado com Marisa Monte.
  2. 2009 - Capo Verde terra d'amore, vol. 1 (LP, cantado com Teofilo Chantre em italiano)
Outras colaborações
  1. 1995 - Sangue de Beirona Remix (por François K)
  2. 1999 - Césaria Evora Remix (por François K e Joe Claussell)
  3. 2003 - Carnaval de São Vivente Remix (EP)
  4. 2003 - Club Sodade Remixes, Cesaria Evora by… (Carl Craig, Francois Kervorkian, Kerri Chandler, Four Hero, Señor Coconut, etc.)

Referências

  1. Morreu cantora Cesária Évora
  2.  Cesaria Evora termina a carreira aos 70 anos.
WIKIPÉDIA

quinta-feira, 24 de novembro de 2011



   Um homem com gripe

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão-de-ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

António Lobo Antunes

domingo, 20 de novembro de 2011

Rio Sado

Reserva Natural do Estuário do Sado

A Reserva Natural do Estuário do Sado é constituída por uma sucessão de água de rio e de água de mar, bancos de areia e de vasa, praias, dunas e sapais.
Esta constitui um ecossistema rico e produtivo ao qual se encontram associadas uma flora e fauna diversas.
O rio Sado nasce na serra da Vigia, a sueste de Ourique, e percorre 180 km de margens mais ou menos planas, desembocando no oceano, entre o Outão e a ponta de Troia.
Golfo profundo, o estuário do Sado corresponde atualmente à vasta superfície de águas que vai da foz do rio até sensivelmente Alcácer do Sal, onde a influência das marés perde a sua força. As águas do rio, salvo em épocas de cheia acentuada, pouco influenciam a circulação geral do estuário.
O relevo que circunda o estuário é de muito pequena altitude. Os pontos mais altos sobem acima dos 30 m de altura - o outeiro Alto, na margem direita, atinge os 36 metros, enquanto que na Malha da Costa, 24 metros, é o ponto mais elevado da margem sul -, a contrastar de forma evidente com a Arrábida que está próxima.
No que diz respeito à flora aquícola, esta pode ser encontrada no parcel ou morraçal - depósito de lodos onde cresce uma vegetação típica dominada pela morraça, que lhe dá o nome, e banhada pelas marés mais altas - e no sapal - terrenos salgados de aluvião cobertos por uma vegetação rasteira.
Há ainda a referir as superfícies lodosas sem vegetação, onde se implantaram os bancos de bivalves, nomeadamente berbigão e navalha, e onde também é praticada a colheita de poliquetas.
Comporta, Carrasqueira, Monte Novo de Palma, Foicinhas, Herdade do Pinheiro e Monte das Cabras constituem as maiores manchas de sapal do estuário do Sado, áreas naturais ocupadas por gramíneas e arbustos halofíticos de pequeno porte, situados ao longo de massas de água salgada cujo nível varia de acordo com as marés. A morraça domina nas zonas onde o grau de salinidade é maior.
As plantas que se desenvolvem nas dunas constituem um outro elemento de grande importância. Na realidade, a península de Troia, uma das principais estruturas dunares do litoral, alberga, a par de largas dezenas de espécies vegetais mais vulgares, alguns endemismos portugueses, ibéricos e europeus. Assim, desde a zona da praia, na pré-duna, até ao flanco continental da duna primária sucedem-se as espécies adaptadas às areias marítimas como é o caso do estorno, do cordeiro-da-praia e do feno-das-praias entre outras. Mais para o interior, encontram-se os montados - o sobreiro e as associações onde domina esta árvore representam o habitat dominante na zona terrestre da Reserva Natural.
Nas linhas de água existentes em redor do estuário surgem as matas ribeirinhas, em que se pode observar espécies como o amieiro, o freixo, o ulmeiro e o salgueiro, enquanto o junco e a tamargueira surgem nas zonas onde ocorre água salobra. Finalmente, são ainda observáveis no estuário do Sado um ou outro caniçal, sobretudo na orla das linhas de água e lagoas, se bem que os caniçais estejam em regressão, devido sobretudo à expansão da orizicultura.
O estuário alberga uma grande variedade de peixes, moluscos e crustáceos. Assim, na fauna ictiológica podem-se referir o salmonete, o linguado, a tainha, a solha, a dourada, o charroco, entre aproximadamente 70 espécies presentes e que estão na origem da atividade dos portos piscatórios da Gâmbia e da Carrasqueira. Há ainda cefalópodes, como o polvo, o choco e a lula, crustáceos, como o caranguejo e a camarinha, bem com diferentes amêijoas. De entre todas as espécies animais presentes no Sado o ruaz-corvineiro é, sem dúvida, aquela que mais atrai as atenções. Estes animais constituem uma colónia de aproximadamente 40 indivíduos, que percorrem as águas marinhas entre o Tejo e o Sado e que, neste último estuário, possuem o seu principal local de alimentação.
No que diz respeito à avifauna, são dois os locais que mais particularmente atraem a atenção: a ilha do Cavalo e o açude da Murta. A primeira é uma área relativamente vasta de lezíria e cultura arvense, com numerosos charcos e pequenas manchas de vegetação palustre, onde nidificam, entre outras espécies, o perna-longa, a perdiz-do-mar e a alvéola-amarela, sendo refúgio para várias outras espécies de limícolas e anatídeos. O açude da Murta, se bem que se trate de uma área adjacente ao estuário, é charco natural de água doce rodeado por uma charneca de matos espinhosos e pinhal, cuja localização permite às espécies que nela nidificam um intercâmbio com as margens lodosas do estuário onde procuram alimento. O açude, para além de albergar uma grande colónia de garças - garça-branca, garça-boieira, garça-vermelha e goraz -, é também ponto de refúgio para alguns anatídeos como o pato-real e o marrequinho. Também várias espécies de passeriformes - felosa-real, rouxinol-pequeno-dos-caniços ou bico-de-lacre - habitam nos caniçais, enquanto as aves de presa encontram habitat favorável na zona da Herdade do Pinheiro, que apresenta um substrato ecológico diversificado.
Gineta, saca-rabo e lontra são alguns dos mamíferos presentes na periferia do estuário, não se podendo deixar de referir a população de gamos nos terrenos da Herdade do Pinheiro.
As salinas do Sado ainda hoje ocupam uma extensa área ao longo das margens do estuário, entre a Mitrena e o Pontal, na margem norte, e entre a Rapa e Montevil, na margem sul.
O sal de Setúbal sempre teve fama de ser dos melhores, devido fundamentalmente à ausência de sais magnesianos. O sal necessitou sempre de ser transportado para o exterior dos salgados que o produziam e uma das formas mais fáceis de o fazer foi, desde sempre, a utilização da via fluvial. A última embarcação concebida no estuário do Sado para desempenhar tal papel foi o "galeão do sal", hoje desaparecido, adaptação de uma outra embarcação que o precedeu, o "galeão de carga".
Por fim o moinho de Maré das Mouriscas representa um último testemunho de uma época em que a importância das energias renováveis, neste caso a energia das marés, era por de mais evidente.


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segunda-feira, 14 de novembro de 2011


       Ser feliz
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Genoma Humano

DNA
Célula

 O Genoma Humano:

A abertura do livro da vida

A publicação das duas primeiras análises da seqüência do genoma humano contém revelações inesperadas, mas se trata apenas do começo das tentativas de decifrar este manual de instruções do homem. Em um assunto tão importante, que passou do silêncio dos laboratórios ao primeiro plano da atenção pública, o leigo precisa entender um pouco do vocabulário para saber do que está falando.
 
O que é um genoma?

É a soma de genes que define como se desenvolve e como funciona um ser vivo. É seu manual de instruções. O genoma é transmitido, com variações individuais, de geração em geração e determina a espécie do ser vivo. Neste programa genético se encontram gravadas nossas características hereditárias encarregadas de dirigir o desenvolvimento biológico de cada indivíduo.
As doenças hereditárias também estão escritas no genoma. Todos os seres vivos, desde os maiores, como o elefante e a baleia, até os minúsculos, como as bactérias, além de plantas, árvores e, claro, o ser humano, têm genoma. A metade do genoma que se herda provêm do macho e a outra metade, da fêmea. Assim se reconstrói a árvore genealógica de todo ser vivo e a herança recebida de seus antepassados aparece no genoma de cada ser. O genoma está escrito na linguagem química do ácido desoxiribonucleico (DNA).
Onde se encontra o genoma?
Cada ser vivo é composto de célula. Cada célula, que é como uma esfera de 0,01 mm de diâmetro, contém em seu núcleo duas metades, a materna e a paterna, do genoma do indivíduo. No ser humano se encontram 23 pares de cromossomos, cada um composto de uma molécula comprida, enrolada em forma de hélice dupla.
Como surge um novo genoma?
Um novo genoma se origina pela fecundação, durante a reprodução. As células sexuais, diferentemente de todas as outras, têm apenas metade do genoma do indivíduo. Essa metade não é nem masculina nem feminina, mas uma combinação delas. Para isso, os órgãos reprodutores do organismo adulto combinam aleatoriamente partes do genoma de sua metade masculina com partes de sua metade feminina, em um processo diferente das outras células do corpo, gerando assim células sexuais.

No ser humano, as combinações possíveis são da ordem de 3 bilhões elevados ao quadrado. A probabilidade de repetir uma combinação é praticamente nula. Cada célula sexual de um mesmo indivíduo leva uma seqüência única, que nunca se formou antes e, depois, jamais voltará a forma-se.
Como se desenvolve o novo genoma?
O novo genoma é totalmente autosuficiente em seu desenvolvimento, e só precisa se alimentar. Imediatamente depois da fecundação, começa o desenvolvimento celular dirigido pelo genoma. A primeira célula já contém todo o material genético capaz de formar o novo ser. A partir daí, surge, em poucas horas, uma cópia completa de seu genoma e se formam duas células, cada uma com essa cópia. O processo se repete sucessivamente, passando de 4 para 8 células e assim por diante até cerca de cem células, todas iguais.

Estas células ainda não se diferenciaram, ou seja, ainda não têm uma função específica. Ainda que todas as células de um indivíduo tenham o mesmo genoma, uma vez que o programa tenha definido e que cada célula fará no organismo adulto, não há mais caminho de volta - embora pesquisas recentes para clonar tecidos adultos tenha conseguido uma reprodução limitada de células já diferenciadas.


Por isso, no DNA, alguns genes se manifestam e outros se calam para sempre. O que se conhece é apenas por que mecanismos isso ocorre. A partir deste ponto, cada célula começa um caminho distinto segundo o desenvolvimento diferenciado do programa genético. Algumas delas darão origem à pele, outras ao intestino e outras ao cérebro, por exemplo.
Como é o desenvolvimento do ser humano?
No ser humano, um mês depois da fecundação, é possível comprovar como bate o coração e circula o sangue, a formação dos olhos, a medula espinhal, os pulmões, o estômago e os intestinos. Neste momento, a mãe começa a suspeitar da gravidez por causa da ausência de menstruação. Com 40 dias de vida, já é possível até fazer um eletrocardiograma no embrião. Pouco depois, um eletroencefalograma detectará atividade elétrica no seu cérebro.

Dez dias depois, já são perceptíveis as impressões digitais, que ficarão gravadas para sempre e diferenciarão este indivíduo de milhões de seus semelhantes. São claramente visíveis os olhos, orelhas e o nariz. Os lábios se abrem e fecham. Com dois meses de gestação, todos os sistemas do corpo estão funcionando, e o feto mede 4 cm e pesa 4 gramas. A partir daí, ele apenas aumenta de tamanho até cerca de 22 anos de idade.
Cada genoma é único?
Das centenas de espermatozóides que tentam entrar no óvulo, o primeiro que consegue atravessar a membrana provoca uma mudança que a reforça e evita que outro espermatozóide consiga fazer o mesmo. Desta maneira, o organismo assegura que o novo genoma tem sua origem na fusão de apenas uma cópia materna e uma cópia paterna.
Os gêmeos têm o mesmo genoma?
A regra da irrepetibilidade do ser vivo em relação aos seus semelhantes tem uma exceção na natureza: os gêmeos. Ele se originam de apenas um genoma, quando as células se dividiram e têm a capacidade de gerar um ser vivo completo. São clones naturais.
Sua separação pode ocorrer por uma pressão mecânica, por exemplo, e assim surgem dois seres com o mesmo genoma. Este fato natural, bem conhecido, pode ser reproduzido em laboratório com o objetivo de gerar cópias idênticas de um ser: réplicas clonadas.
Tão parecidos e tão diferentes
· 99.8% dos dados genéticos são comuns a todas as pessoas. Para a genética, não faz sentido falar em raças. Mas esse 02% supõe cerca de 6 milhões de diferenças, cujas combinações são matematicamente suficientes para moldar seres muitos diferentes.

· A estrutura genética de cada indivíduo é única e peculiar, exceto nos gêmeos e nos que não apresentam diferenças em seu genoma. Porém, não deixam de ser duas pessoas diferentes.
97% do genoma humano não exerce nenhuma função aparentemente conhecida. Há uma grande quantidade de informações no genoma que não serão genes. Supõe-se que essa grande maioria de informações sirva de elemento de controle para a expressão dos genes onde e quando necessitem.


Fonte: INTERPRENSA





terça-feira, 1 de novembro de 2011

 

 

A morte

A morte não é nada.
Tenho apenas escapuliu para a próxima sala.
Eu sou eu e você é você.
O que estávamos juntos,
Que ainda o fazem.

Chame-me pelo meu antigo nome familiar.
Falar-me o caminho mais fácil
você sempre usa.
Não fez diferença em seu tom.
Não use ar forçado de solenidade ou sofrimento.

Sorriso como sempre riu
com as piadas que desfrutamos juntos.
Play, sorriso, pense em mim. Ore por mim.
Sempre deixar o meu nome uma palavra de casa
ele sempre foi.
Deixe-o falar sem efeito.
Nenhum traço de uma sombra sobre ele.

Vida significa tudo o que sempre quis dizer.
É o mesmo que sempre foi.
Não há continuidade ininterrupta absoluta.
Por que eu deveria estar fora da mente
porque eu estou fora da vista?

Eu estou pronto para você.
Para uma pausa.
Em algum lugar. Muito perto.
Ao virar da esquina.

Tudo é bom.
Henry Scott Holland

quarta-feira, 26 de outubro de 2011




OS NINGUÉS

As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.”
(Os Ninguéns, Eduardo Galeano.)

terça-feira, 25 de outubro de 2011


Poema lindíssimo de Fernando Pessoa    
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
(Fernando Pessoa)

sábado, 8 de outubro de 2011

  Biologia= Sites sobre Biologia, meio ambiente, espécies de animais, preservação da natureza, corpo humano, fauna brasileira, mundo animal, ecologia, temas de vestibular e curiosidades de biologia.
 http://www.mundosites.n

terça-feira, 30 de agosto de 2011

BBC HD - Planeta Humano Ep. 01: Oceanos [Parte 5/5]

Verdes são os campos, José Afonso

Alentejo

VILA DO TORRÃO

Video Palestra Marcos Sousa - Sonhe e voe!.wmv

PLANETA HUMANO

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

SALEMA


  Salema
Uma herdade no  Baixo Alentejo: pequeno povoado a que chamavam Salema de Baixo. 
Foi onde minha mãe me deu a vida e a sua vida perdeu. Recordações  dos cinco anos, que sempre ficam na mente, e nela prevalecem pela vida.
      


      

domingo, 21 de agosto de 2011


cid:49F0896EC11A415AAC55C52524CEE626@SeverinoPC             Fernando pessoa

"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhámos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.

Hoje já não tenho tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:
Quem são aquelas pessoas?
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!

- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.
E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.
Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!"


                                                          Fernando pessoa
      
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"
 Fernando Pessoa

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

PIERRE E MARIA CURIE

Pierre e Marie Curie          

Casal de físicos franceses. Tornam-se célebres pela descoberta do fenômeno da radioatividade.
 Pierre Curie (15/5/1859-19/4/1906) nasce em Paris, onde se dedica ao estudo da calorimetria e da
 cristalografia e revela o princípio da piezeletricidade.

Como supervisor da Escola de Física e Química, em 1882, passa a pesquisar o magnetismo.
 Suas descobertas nesse campo são conhecidas como Lei de Curie. Marie Sklodowska Curie
 (7/11/1867-4/7/1934) nasce na Polônia e em 1891 emigra para a França, onde estuda física,
 química e matemática na Universidade de Paris. Casa-se com Pierre Curie em 1895.

Pierre e Marie CurieO casal recebe o Prêmio Nobel de Física em 1903 pela descoberta da radioatividade,
 três anos depois de identificar os elementos radioativos polônio e rádio. Pierre é nomeado professor da
 Universidade de Paris em 1904 e começa a pesquisar os raios X e sua aplicação na medicina.

Após sua morte, em 1906, vítima de atropelamento, Marie dá continuidade aos estudos sobre os raios X
 e substitui o marido na universidade. Marie Curie ganha seu segundo Prêmio Nobel, o de Química, em 1911,
 pelo isolamento do rádio puro. Em 1932 funda o Instituto do Rádio. Retirado do Sitio: http://www.algosobre.com.br/biografias/pierre-e-marie-curie.html

domingo, 14 de agosto de 2011

 


PABLO NERUDA

ODE À CEBOLA


Cebola,
luminosa redoma,
pétala a pétala
formou-se a tua formosura,
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra sombria
arredondou-se o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
deu-se o milagre
e quando apareceu
teu rude caule verde,
e nasceram
as tuas folhas como espadas no horto
a terra acumulou seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar distante
duplicou a magnólia
levantando-lhe os seios,
a terra
fez-te assim,
cebola,
clara como um planeta,
e destinada
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
dos pobres.

Generosa
desfazes
teu globo de frescura
na consumação
fervente do cozido,
e o girão de cristal
ao calor inflamado do azeite
transforma-se em ondulada pluma de ouro.

Recordarei também como a tua influência
fecunda o amor da salada
e parece que contribui o céu
dando-te a fina forma do granizo
a celebrar a tua luz picada
sobre os hemisférios de um tomate.
Mas ao alcance
das mãos do povo,
regada com azeite,
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no duro caminho.
Estrela dos pobres,
fada madrinha
envolta
em delicado
papel, tu sais do solo,
eterna, intacta, pura
como semente de astros,
e ao cortar-te
a faca de cozinha
sobe a única lágrima
sem mágoa.
Fizeste-nos chorar mas sem sofrer.
Tudo o que existe celebrei, cebola,
mas para mim és
mais formosa que um pássaro
de plumas ofuscantes,
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina,
baile imóvel
de anémona nevada

e a fragância da terra inteira vive
na tua natureza cristalina.

(tradução de José Bento, in Antologia de Pablo Neruda, editorial Inova, 1973 - As mãos e os frutos)


terça-feira, 9 de agosto de 2011

FEITOS CELEBRES


 Amato Lusitano

Amato Lusitano foi o nome pelo qual a Europa renascentista conheceu
 o ilustre médico português de ascendência judaica, João Rodrigues,
 cujos principais passos biográficos se conhecem através das suas próprias obras.

Além das obras publicadas, o médico português ficou conhecido por
 descobrir o processo de circulação do sangue e por identificar e descrever
 pela primeira vez as válvulas venosas.

Amato Lusitano foi responsável por curar a irmã do Papa Júlio, por assistir
 o embaixador do imperador Carlos V, Diego de Mendoza e por tratar do estado
 de saúde do próprio papa, entre outras personalidades ilustres, durante o
 tempo em que viveu em Itália.

A sua experiência médica foi publicada na obra Curationum Medicinalium
 (Veneza, 1557-1560; Lion, 1580), antes e depois da sua morte.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011




DESEJOS VÃOS

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz imensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até a morte!
Mas o Mar também chora de tristeza ...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras ... essas ... pisa-as toda a gente! ...
Florbela Espanca

Momentos

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MAR

  O Mar acalma

as minhas revoltas
As ondas borbulham
como notas soltas
Oceano de Amor
Imenso
Profundo
estrelas do mar
iluminando o Mundo
A Lua sorri
ao Mar companheiro
Cheia
grandiosa
sem ela
ele não é nada
não existem marés
e Ela vaidosa
sente que tem
o Mar
A seus pés

quinta-feira, 4 de agosto de 2011


 Amor de Mãe 

Ela me deu o alimento quando eu estava com fome;
Ela me deu atenção quando eu precisava;
Ela me consolou quando eu precisei chorar;
Ela brigou comigo quando eu fiz algo de errado;
Ela me mostrou o caminho em que eu deveria andar;
Ela me abraçou quando estava com frio; 
Ela me beijou quando precisava de carinho
É por essas e outras que hoje eu declaro o meu amor pela
mulher mais linda do mundo...
 Minha Mãe.

DE JOELHOS

“Bendita seja a Mãe que te gerou.”
Bendito o leite que te fez crescer
Bendito o berço aonde te embalou
A tua ama, pra te adormecer!
Bendita essa canção que acalentou
Da tua vida o doce alvorecer ...
Bendita seja a Lua, que inundou
De luz, a Terra, só para te ver ...
Benditos sejam todos que te amarem,
As que em volta de ti ajoelharem
Numa grande paixão fervente e louca!
E se mais que eu, um dia, te quiser
Alguém, bendita seja essa Mulher,
Bendito seja o beijo dessa boca!!
 

A maior dor...


"A maior dor na vida não é morrer, mas ser ignorado.
É perder alguém que nos amava e que depois deixou de se importar.
É sermos deixados de lado por quem tanto nos apoiava.
É constatar que esses são os resultados das nossas negligências.

A maior dor na vida não é morrer, mas ser esquecido.
É ficar sem um cumprimento após uma grande conquista.
É não ter um doce amigo telefonando só pra dizer "olá".
É ver a indiferença num rosto quando abrimos nosso coração.

O que muito dói na vida é ver aqueles que foram nossos amigos
e colegas sempre muito ocupados quando precisamos de alguém
para nos consolar e ajudar a reerguer o nosso espírito.
É quando parece que nas aflições sobramos somente nós
nos importando com nossas tristezas.

Muitas dores nos afectam, mas isso pode não ser tão pesado
se formos mais presentes e atenciosos: Cada um de nós tem
um papel para desempenhar no teatro que chamamos vida.

Cada um de nós tem o dever de dizer aos amigos que são importantes.

Se você não se importa com seus companheiros de jornada, você não será punido:
Apenas acabará simplesmente ignorado ... esquecido ... exactamente como faz com eles .